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domingo, 1 de outubro de 2017

“Aprendemos a ser bem mais que a própria vida, mesmo impulsionados pela força da morte.”



O Início da era do fim da vida ao fim da morte

     Um certo dia, um seletivo desespero apossou-se dos meus sentidos e o chão já não era tão seguro em ficar, já não haveria casa e o ar já não inspirava a mim mesmo. As minhas vontades dobravam os joelhos junto aos meus pensamentos confusos e acelerados, as recordações me faziam assim como num velho projetor de filme. Não haveria sentido em coisa alguma em rever tais imagens na minha mente, pois descrevia exatamente o meu passado de luz e sombras de recordações.
O meu semblante era de um justo, recíproco em não entender o ocorrido e determinado a  não querer que aquilo voltasse nunca mais. Esta era a semelhante característica de um pós morte, a agonizante seqüela de tempos que se dissipariam em poucos segundos.
     É injusto a cura de algo que não se tem identidade física curável, basta entender aquilo que realmente nunca ninguém entenderá a não ser nós mesmos. Uma prova de como tudo foi, é e será em um único tempo. Entre os demais adornos do desequilíbrio mental retratados pela vida, necessariamente precisei repensar a sua existencialidade e o rumo pelo qual andei em tempos e ante a ela. Tal descrição foi determinante para uma melhoria temporária dos seus efeitos.

O apelo desesperativo

     As reações em cadeia e o desespero de um novo dia, tal combinação era a personificação perfeita dos maiores conflitos da minha alma. Em como uma imagem fúnebre, as imagens distorcidas sentenciadas por lágrimas tentavam apaziguar o meu estado físico. Elogiei então a procura da resposta perfeita para a o realinhamento das minhas razões existentes, tais razões que se frustravam diante a tantas ilusões, assim como um vasto abismo de onde não se tinha retorno ao cair, assim era como me sentia frente aos meus conflitos. Inimagináveis vezes repensando os propósitos daquilo, as caminhadas pareciam dolorosas pelas vias de suor e sangue.
Em um mundo de idéias devastadas pela busca das respostas uma grande bagunça certamente me traria grandes benefícios.
     Lutando cerca de cinco anos já não tolerava mais digerir nenhuma conclusão precipitada sobre o assunto, tinha que tomar coragem para mudar o ritmo das coisas e manter o meu equilíbrio. Fazer o que mais me atraia parecia ser menos difícil, além das grandes parcelas de hábitos que tive de pagar pela própria carne. Era sim, o início de um grande final de tudo, algo mais além poderia ir por mim e ceifar o grande causador desta notória experiência de vida em morte.

 O grande colapso da cura

     Escrever algo que não se houve, não se fala, não se sente fisicamente é algo que não se descreve em palavras. Há algo além, sobrepondo o entendimento conceitual do que é, alguma força de sustentação que nos define e se declara a ciência daquilo que somos. Incomparavelmente difere do natural, acima de todos os cinco sentidos, um ser que comporta o equilíbrio não nos deixando ser levados pela gravidade do nada, este era Ele, vindo do nada para ser tudo que tinha. Em lágrimas me banhei até o meu íntimo e retirei do mais fundo eu a resposta para nascer novamente.

Difícil entender tal pensamento, mas sim, era possível. Não falo de algo natural, não é como a ciência explica, é um sonho interminável por aquilo que se busca e presenciamos em nossa dimensão. Acima do cosmos, o reflexo do amor, o respirar de um começo que não teria final nem limites, não sendo exagero em descrever um plano celeste existencial. Era a minha exata declaração do que era ser curado, tão intenso que não fui capaz de escrever com clareza o ocorrido naquela noite. Sim, aprendi a ser mais que a própria vida mesmo impulsionado pela força da morte.